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O GRIFO

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Imagens de Grifos

Animal fabuloso cuja forma varia com o tempo, se bem que é facilmente reconhecível já que combina um corpo de leão com cabeça, peito, asas e garras de águia.

A cabeça pode ser de leão. As patas podem ser todas de leão ou todas de águia ou bem aparecer dois a dois.

É possível também que o corpo de felino apareça alado e seja menor, do tamanho de um lobo, e ocasionalmente pode ter a cauda de serpente.

Outras vezes se atribui corpo de leão, com cabeça e asas de águia, orelhas de cavalo e uma "cresta con aletas de pez".

Por outra parte, a postura do grifo não é uniforme: aparece ameaçador e rampante, como guardião de um trono real, como montaria de um deus ou, simplesmente, como um animal de presa. O mesmo se pode dizer a respeito de sua cor.

De todo o anterior se deduz que o grifo reune em sí os caracteres físicos dos dois animais mais poderosos da terra e do ar, o leão e a águia. 

É regente do ar e também da terra.

AO PASSAR DO TEMPO

Com o passar do tempo, os caracteres do grifo se foram definindo. Ficou convertido em uma ave Quadrúpede de enormes garras, com unhas do tamanho de chifres de boi, capazes de aferrar o corpo de um cavalo ou de um homem com armadura e transporta-lo pelos ares (as garras são tão grandes que se pode fabricar uma taça ou um vaso com cada uma delas; durante a Idade Média se comerciou frequentemente com supostas garras de grifo, na crença de que mudavam de cor caso se colocasse um veneno nelas).

Quando o grifo começa a voar, o vento que produzem suas fortes asas basta para derrubar pessoas. Os grifos vivem nos montes Hiperbóreos, em algum ponto de Escitia, em luta constante com os arimaspos, aos quais tentam roubarles o ouro e as esmeraldas que colocam em seu ninho como talismã contra as "alimañas" venenosas do monte. Os inimigos naturales do grifo são os homens, aos que não temem em absoluto, e os cavalos. De sua enorme hostilidade faz este animal da conta o feito de que Virgilio não encontra imagem mais significativa para descrever as bondades da Idade de Ouro que dizer que em esta época incluso os cavalos se mesclavam com os grifos (posteriormente esta ideia fará fortuna na figura do Hipogrifo).

LENDAS

É na Grecia onde aparece pela primeira vez o motivo da luta entre os homens e os grifos em um poema do século IV a.C., titulado Arimaspeia, do que por desgraça não se conservam mais que seis versos. O autor do relato, o poeta Aristea de Proconeso, conta sua viagem até o país dos hiperbóreos, a terra do deus Apolo, quem o havia inspirado em sua obra. Durante o caminho se havia encontrado aos arimaspos, uns estranhos seres ciclópeos, em luta perpétua com os grifos para apoderarse do ouro que estes guardavam. Um século mais tarde o historiador Heródoto retomou a história e escreveu que os grifos construiam ninhos de ouro.

A segunda lenda relacionada com o grifo aparece já na época medieval, no Livro de Alexandre, reconstrução fantástica da vida do imperador Alexandre Magno, na qual o macedonio se converte em um heroi no que confluem motivos religiosos, cavalerescos, legendários, etc., capaz de realizar numerosas proezas. Entre elas está a de enganchar em sua carruagem dois grandes grifos. O macedonio, já conquistada a terra, decide a empreender a conquista do cêu; ascende a uma elevada montanha perto do Mar varmelho e ordena construir uma especie de cesto que "sujeta con cadenas" a uns grifos. Alexandre pensa então um meio para conseguir que os grifos levantem vôo. Sentado no interior do cesto, segura em suas mãos duas largas pértigas de madeira em cujo extremo havía colocado uns pedaços de carne que se colocavam justo diante do bico dos animais; assim pois, estos, em seu afã de alcançar-la, começam a voar. Depois de sobrevoar a terra durante o tempo suficiente para ver-la como uma ilha rodiada do oceano, a estranha aeronave caiu na água, no que parece sem conseqüências trágicas para o rei. Se trata este de um motivo recorrente na iconografía mundial ao largo da historia que, como o anterior, não permaneceu no imaginário coletivo.

SIMBOLISMO

Os antigos hebreus consideraram que o grifo representava a Pérsia e sua religião binaria, o zoroastrismo, basicamente o grifo foi sempre -como tantos outros híbridos- uma figura guardiã.

Em Creta representou a valentía vigilante, e também o consideraram os antigos gregos, convencidos de que os grifos protegiam os tesouros de ouro em Escitia e India.

Para os romanos, foi o emblema de Apolo, o deus do sol, e esteve relacionado com Atena, deusa da sabedoria e com Némesis, deusa da vingança.

Com a chegada do cristianismo, o grifo se converteu na imagem de vingança e a perseguição e, já na época medieval, foi um dos pilares do simbolismo cristião, pois passou a simbolizar a natureza dual (humana e divina) de Cristo. Em qualquer caso, o grifo sempre manteve seu carácter guardião pois imagens suas em pedra (como  gárgulas) guardam frequentemente os templos e palacios na arquitetura gótica da Baixa Idade Média. 

Na realidade, toda esta enorme difusão do grifo parece deverse a seu aspecto formal, elegante e vigoroso, no qual se presta a um papel emblemático e simbólico, antes que a uma fabulação mítica. Esta é quiçá a razão que explica o dilatado uso desta figura na heráldica, donde sempre tem representado a força e a vigilância.